A obra de Ismael Monticelli tem evidenciado aquilo que é ínfimo e quase imperceptível, destacando o que há de extraordinário em episódios e objetos domésticos e buscando o diálogo entre o universo plástico e outras linguagens artísticas. Em Satélite, o artista visita The brick moon (1869), livro escrito por Edward Everett Hale, que fez a primeira menção a satélites artificiais. A partir deste encontro com a ficção, Monticelli faz com que um trenzinho de brinquedo passe por duas estruturas cúbicas feitas de lâminas de vidro. Em cada uma delas, minúsculas figuras (um homem e uma mulher) que são satélites do trem e também um do outro – há um jogo de refrações criado pelo espaço entre os planos do cubo, vertendo o que é transparente em opaco. Embora parta da literatura, o trem transita também pelos trilhos da história da pintura (Monet, Turner) e do primeiro cinema, o que fica claro quando se vê a imagem de paisagem que é carregada pelo vagão de carga ricocheteando em movimento pelas frestas do vidro.

 

 

 

Texto publicado originalmente no catálogo da exposição Ficções, realizada na Caixa Cultural, Rio de Janeiro/RJ, 2015. 

satélite

Por Daniela Name

 

2015